Nordeste

Introdução

 

A Região Nordeste é composta por nove estados. Esses são: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Ocupa 18,2% da área do país, tendo uma extensão territorial de 1.554.257,0 quilômetros quadrados.  É a terceira maior região brasileira. Seu território limita-se com as regiões Norte (a oeste), Centro-Oeste (a sudoeste), Sudoeste (ao sul), além de ser banhado pelo oceano Atlântico (ao norte e leste).

 

População

 

A população do Nordeste é de 53.078.137 (Censo IBGE 2010), compondo cerca de 28% da população residente no Brasil. Sua densidade demográfica é de 34,1 habitantes por quilômetro quadrado, tendo o crescimento demográfico de 1,3% ao ano. A população urbana representa 73% do valor total.

Três grupos étnicos originaram a população Nordestina: os brancos, negros e indígenas. A miscigenação étnica e cultural dessas três etnias foi o pilar para a composição da população do Nordeste. Em algumas regiões predominam os caboclos, já em outras, os mulatos. Os cafuzos (miscigenação entre índios e negros africanos ou seus descendentes) também são muito comuns. E tem como herança genética 60,10% europeia, 29,30% africana e 8,90% indígena.

 

Relevo

A maior parte da região do Nordeste localiza-se em um extenso planalto antigo marcado por erosão. O relevo da região é caracterizado por planaltos, planícies e depressões. Ao longo do território são identificadas diversas altitudes, entretanto, grande parte da região é constituída por uma topografia plana. Existem dois antigos e extensos planaltos aplainados pela erosão, a Borborema e a bacia do rio Parnaíba. Há também algumas áreas altas e planas que formam as chapadas, como a Diamantina, onde se localiza o ponto mais elevado da região, o Pico do Barbado com 2.033 metros de altitude. Na Bahia, no Araripe, nas divisas entre os Estados do Ceará, Piauí, Pernambuco e na Paraíba, também há importantes chapadas.

Entre essas regiões ficam localizadas algumas depressões, cuja altitude varia entre os 200 e os 500 metros, estás compõe o sertão, região de clima semi-árido. A faixa de planície costeira é muito estreita na Bahia, porém fica mais extensa próxima à foz de alguns rios, como o São Francisco e o Paraguaçu. De Pernambuco ao Ceará a largura média da planície costeira é de aproximadamente 50 km. No Maranhão e Piauí, entretanto, a planície costeira ocupa quase um terço da superfície destes estados.

Hidrografia

A região nordeste contem 18% das bacias hidrográficas brasileiras. Apesar de sua extensão, a hidrografia da Região Nordeste é considerada discreta, isso devido irregularidade de boa parte dos seus rios e sua interrupção proveniente do clima semi-árido que domina boa parte da região.

Há cinco principais bacias hidrográficas na região do nordeste:

-Bacia do São Francisco: é a principal da região, formada pelos rios São Francisco e seus afluentes. São praticadas atividades de pesca, navegação e produção de energia elétrica pelas hidrelétricas. Essa bacia delimita as divisas naturais da Bahia com Pernambuco e também de Sergipe e Alagoas, que é onde está localizada sua foz.

– Bacia do Parnaíba: é a segunda mais importante, ocupa 3,9% do território nacional e drena quase todo o estado do Piauí, parte do Maranhão e Ceará. O rio Parnaíba é um dos poucos no mundo a possuir um delta em mar aberto, com uma área de manguezal de, aproximadamente, 2.700 km².

– Bacia do Atlântico Nordeste Oriental: ocupa uma área de 287.384 km e abrangem os estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas. Os rios principais são o Jaguaribe, Piranhas-Açú, Capibaribe, Acaraú, Curimataú, Mundaú, Paraíba, Itapecuru, Mearim e Uma.

– Bacia do Atlântico Nordeste Ocidental: situada entre o Nordeste e a região Norte, fica localizada, quase em sua totalidade, no estado do Maranhão. Algumas de suas sub-bacias formam ricos ecossistemas, como manguezais, babaçuais, várzeas, etc.

– Bacia do Atlântico Leste: compreende uma área de 364.677 km², dividida entre Bahia,  Sergipe, Minas Gerais e Espírito Santo. Na bacia, a pesca é utilizada como atividade de subsistência.

Clima

A região nordeste é caracterizada pela seca, provocada por diversos fatores, dentre eles, a localização geográfica. A região se localiza na zona intertropical da terra, então por causa da quantidade de luz que incide na superfície do local, a temperatura é muito elevada durante o ano todo. As chuvas são muito mal distribuídas ao longo do ano. A região nordeste é composta por três tipos de climas:

– Clima Tropical: está presente principalmente no sul da Bahia, centro do Maranhão e no litoral de todos os estados da região.

– Clima Semiárido: abrange especialmente a região central do Nordeste, onde as temperaturas são elevadas durante o ano todo, as chuvas são irregulares e há ocorrência de prolongada estiagem.

– Clima Equatorial Úmido: é identificado em uma restrita área da região localizada a oeste do Maranhão, que sofre influência do clima equatorial, com temperaturas elevadas e chuvas abundantes.

 

Economia

Na economia nordestina é predominante o setor primário (agricultura e pecuária). Estudos feitos pela Fundação Getúlio Vargas apontam um aumento na renda da região nos últimos anos impulsionada pelo fortalecimento da economia nacional e pelos programas de transferência de recursos, como o Bolsa-Família. Porém esse aumento de renda não aumentou a qualidade de vida das pessoas que habitam a região.Há alguns anos vem ocorrendo um investimento financeiro na região, que busca estabelecer desenvolvimento econômico em diversos segmentos.

Uma das grandes influências no desenvolvimento econômico é a instalação de indústrias, que alcançou altos níveis de crescimento com empresas regionais e com a entrada de muitas indústrias filiais vindas de diversas partes do Brasil, especialmente do sudeste. Empresas dos mais variados segmentos se transferem para a região, desde de indústrias de base até de tecnologia de ponta, isso porque os estados da região apresentam muitas vantagens locacionais, como redução e/ou isenção de impostos, abundante mão-de-obra com baixo custo. Podemos destacar áreas de grande desenvolvimento no campo industrial, como o Distrito Industrial de Ilhéus (Bahia), o Complexo Industrial de Suape (Pernambuco), Distrito Industrial de Maracanaú (Ceará). Na área de Tecnologia da Informação, podemos citar o Porto Digital do Recife, que recebe destaque na produção de softwares.

Sua industrialização é mais diversificada nos bolsões industriais das Regiões Metropolitanas: Salvador (Polo Petroquímico e fábrica de automóveis Ford), Recife (açúcar refinado, produtos químicos, pescado industrializado, metalurgia, têxteis) e Fortaleza (metalurgia, têxteis, calçados, cimento, alimentos). Campina Grande (Paraíba) também se destaca no âmbito local com suas indústrias têxteis, mecânicas, metalúrgicas e calçadistas.

A maior parte das manufaturas consumidas vêm de fora da região.A região Nordeste é a segunda maior produtora de petróleo do Brasil. O estado do Rio Grande do Norte se destaca no país em tal produção e no estado da Bahia está instalado o Polo Petroquímico de Camaçari, um dos mais importantes do Brasil. O petróleo é explorado no litoral e na plataforma continental e processado na refinaria do Landulfo Alves, em Salvador, e no próprio Polo Petroquímico de Camaçari.

O Nordeste possui um grande rebanho bovino, tendo apenas no estado da Bahia oito milhões de cabeças, mais ou menos. Porém, a região sofre com problemas de seca, assim, a criação de caprinos, mais resistentes, tem maior importância econômica e alimentar. A suinocultura, a avicultura, a ovinocultura e a caprinocultura (apropriada para o sertão) também são atividades desenvolvidas na região, onde a maior parte da produção animal é consumida na própria região.

Na agricultura destacam-se os cultivos tradicionais de cana-de-açúcar (Alagoas, Pernambuco e Paraíba), algodão (Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte), tabaco (Bahia) e caju (Paraíba, Ceará) e também se destaca a produção de frutas tropicais (manga, abacaxi, caju, banana, acerola e goiaba) em regiões irrigadas, principalmente na Bahia e em Pernambuco. Há também na região uma boa produção de mel. No sertão predomina a agricultura familiar de subsistência, prejudicada pelas secas. Outra produção agrícola importante na economia é a criação e comercialização do camarão, pois a região é favorecida climaticamente para esta atividade.

O setor agrícola da região entrou em uma etapa de evolução com a mecanização e modernização do campo. As áreas agrícolas do sertão, através de técnicas de irrigação, têm conseguido um grande volume de produtividade em diferentes culturas. Além dessas culturas, na Bahia e no Maranhão tem sido difundido o plantio de soja com a inserção de mecanização com os mesmos padrões das regiões mais produtivas do Brasil através da correção de solos do cerrado.

O turismo é uma importante fonte de renda para a região. Milhares de turistas estrangeiros e de outras regiões brasileiras visitam anualmente o Nordeste. As características naturais como a sua localização e seu clima atrai muito as pessoas (a região possui o maior percurso litorâneo brasileiro). Os principais destinos desses turistas são: Salvador, Olinda e Recife, que são conhecidos mundialmente pelo seu carnaval, e outras cidades litorâneas como Maceió, Fortaleza, Natal, Porto de Galinhas, Fernando de Noronha, que possuem praias e paisagens impressionantes. Outra atração para turistas são as festas de santos católicos populares, como São João, São Pedro e Santo Antônio. Depois da desvalorização do Real (1999), o turismo de brasileiros originários do Sudeste cresceu.

Um contraste marcante na região Nordeste está na distribuição de renda. Algumas famílias conseguem viver nos mais altos padrões de vida e consumo, porém são minoria, pois a maioria da população sobrevive em condições precárias em praticamente todos os sentidos. PIB da região Nordeste: R$ 397 bilhões (IBGE 2008) PIB per capita: R$ 7, 487, 55 (IBGE 2008)

Também pode se destacar nas atividades econômicas da região o artesanato, que é importante para pequenas comunidades, sobretudo com o crescimento do turismo na região. A atividade se concentra em Pernambuco (cerâmica), Paraíba (objetos de couro), Rio Grande do Norte e Ceará (vidros com areia colorida, tecidos de renda e bordados, redes para dormir).

Cultura

O mais famoso evento do nordestino é o carnaval. Milhares de turistas são atraídos para o carnaval do Nordeste, que se caracteriza pela riqueza musical e alegria dos foliões. O coco, bambelô ou zamba é um estilo de dança muito praticado nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A dança é uma expressão das pessoas que mais sofreram do Nordeste brasileiro. É uma dança de roda ou de fileiras, de pares, que vão ao centro e desenvolvem movimentos ritmados.

O maracatu se originou em Recife, surgiu durante as procissões em louvor a Nossa Senhora do Rosário dos Negros. Inicialmente tinha um cunho altamente religioso, hoje é uma mistura de música primitiva e teatro. Reisado, ou Folia de Reis, é uma manifestação cultural introduzida no Brasil colonial, trazida pelos portugueses. Os participantes dos Reisados acreditam ser continuadores dos Reis Magos que vieram do Oriente para visitar o Menino Jesus, em Belém. É um espetáculo popular das festas de natal e reis, cujo palco é a rua.

A Festa Junina, originada na região nordeste, é composta por música caipira, apresentações de quadrilhas, comidas e bebidas típicas, além de muita alegria. Consiste em uma homenagem a três santos católicos: Santo Antônio, São João e São Pedro.

A capoeira é considerada uma modalidade de luta e também de dança. Rapidamente adquiriu adeptos nos estados nordestinos, principalmente na Bahia e Pernambuco. Os instrumentos que são usados nas apresentações de capoeira são o berimbau, cabaça cortada, caxixi, vareta e dobrão. O frevo surgiu através da capoeira, porque o capoeirista sai dançando o frevo à frente das bandas de música. Quilombo é um folguedo tradicional alagoano, tema brasileiro, revivendo a época do Brasil colonial. Conta a fuga dos escravos que foram buscar um lugar seguro para se esconderem na serra da Barriga, formando o Quilombo dos Palmares.

Há também a festa de Iemanjá, um agradecimento à Rainha do Mar. Todas as pessoas que têm “obrigação” com a Rainha do Mar se dirigem para a praia. Nesse evento cultural todos os candomblés da Bahia se encontram. são levadas flores e outros presentes como oferenda à Iemanjá.

Lavagem do Bonfim é um ritual típico baiano que se realizada numa quinta- feira do mês de janeiro. Milhares de romeiros chegam ao Santuário do Senhor do Bonfim, considerado como o Oxalá africano. O Candomblé é um culto dos orixás que representam as “forças que controlam a natureza e seus fenômenos”. É de origem africana os escravos que o trouxeram para o país, na época do Brasil colonial. Na Bahia, esse culto é chamado de candomblé, em Pernambuco,  xangô e no Maranhão é conhecido como tambor de menina.

A Literatura de Cordel é uma das principais manifestações culturais nordestinas. Consiste na elaboração de pequenos livros contendo histórias escritas em prosa ou verso, sobre os mais variados assuntos.

O artesanato da região Nordeste é muito variado. Destacam-se as redes tecidas, rendas, crivo, produtos de couro, cerâmica, madeira etc. Algumas comidas típicas do Nordeste brasileiro são: moqueca, acarajé, abarás, feijoada à alagoana, cosido à baiana, mocotó, bobó de inhame, casquinha de caranguejo, feitos de carne suína, de cabrito e de carneiro. De sobremesa, são conhecidos os pratos: sorvetes, cocadas e alguns refrescos de frutas típicas da região, como o açaí, manga, taperebá, caju, pitanga etc.

Saúde

Na região Nordeste do país a desnutrição infantil é muito grande. Os maiores problemas na saúde da região são os cardiovasculares, doenças infecto-contagiosas, a doença do Chagas, cólera e a esquistossomose. Na questão da desnutrição infantil, o organismo desnutrido carece de proteínas, calorias e vitaminas, em conjunto ou isoladamente. No Nordeste, a desnutrição afeta 27,3% da população.

O índice de mortalidade infantil na região é de 77 crianças por mil nascidas vivas, a mais alta do país. Levantamento do Ministério da Saúde mostra: no interior de Alagoas, em cada mil crianças nascidas nos três primeiros meses de 1994, 174 morreram antes de completar um ano. É o maior crescimento de mortalidade infantil nos últimos 20 anos. Isso tudo se deve principalmente ao precário acesso aos serviços de saúde, a falta de saneamento ambiental e a baixa escolaridade. Segundo a  ABESA, 60% das internações em pediatria são devidas a doenças que surgem por meio de contato com água e esgoto não tratados.

De acordo com a OPAS, a mortalidade por diarreia, infecção respiratória agida e desnutrição é três vezes maior nos filhos de mulheres sem qualquer nível de escolaridade. Na região nordeste, as doenças infecto-contagiosas são a terceira causa de mortes. Uma doença muito comum nessa região é a cólera.

Educação

Na região nordeste os maiores problemas educacionais são a repetência, a falta de escolas e acesso as mesmas. Devemos constatar também o despreparo dos professores do ensino de 1o e 2o grau, e de seus baixos salários fazendo crescer a falta destes nas escolas.

Outro problema agravante é a falta de merenda escolar contribuindo assim para o alto índice de evasão escolar nessa região. No nordeste, o índice de repetência subiu 22,2% nos últimos anos. Esses não são precisos porque, muitas vezes, o aluno abandona a escola quando sabe que vai repetir. No ano seguinte, quando ele se matricula novamente na mesma série, é considerado, com frequência, como um aprovado da série anterior.

Vegetação

A Região Nordeste possui uma vegetação muito rica e diversificada e apresenta fauna e flora exuberante. Ao longo das áreas litorâneas são encontrados mangues, vegetação de dunas. Em locais que ocorre o clima tropical, como no centro-oeste da região, é encontrado o Cerrado. Nas regiões onde prevalece o clima semiárido encontra-se a Caatinga. E no oeste da região, onde o clima é o equatorial, a vegetação encontrada é a floresta Amazônica, além da ocorrência de Mata dos Cocais.

A Mata Atlântica, também conhecida como Floresta tropical úmida de encosta, é caracterizada por possuir grande umidade. As árvores podem chegar a medir de 15 a 20 metros nas áreas mais densas dessa mata. A Mata Atlântica faz parte da Zona da Mata Costeira, e tem como principais espécies: pindoba, embaúba, pau d’alho, azeitona-da-mata, visgueiro, sapucaia, ingá, pau d’arco, entre outros.

Originalmente ia do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, porém por causa dos desmatamentos, apenas 5% de toda sua vegetação original resta. Infelizmente, a Mata Atlântica do Nordeste representa um dos setores mais degradados do bioma, possuindo dezenas de espécies ameaçadas de extinção. A Mata nessa região cobria uma área original de 255.245 km², ocupando 28,84% do seu território. Os últimos esforços das organizações não governamentais, Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE), Fundação SOS Mata Atlântica e parceiros governamentais para mapeamento da Mata Atlântica indicam que o bioma no Nordeste ocupa hoje uma área aproximada de 19.427 km², cobrindo uma área total de 2,21% de seu território. Mais de 46% dos remanescentes mapeados estão localizados na Bahia. A região abriga a maior quantidade de espécies endêmicas do bioma e mesmo assim, há pouca preservação. A primeira organização a focar seus esforços, exclusivamente, na preservação e restauração da Mata Atlântica nordestina foi a Amane. Atualmente, a associação realiza uma porção de projetos na região e um dos mais bem sucedidos é o Programa de Desenvolvimento Sustentável para o Assentamento Pacas, implantado no município de Murici, em Alagoas. Os mangues se estendem por todo o litoral. Podem ser vistos como local de moradia e reprodução dos caranguejos. É um ecossistema muito rico e importante para a preservação de rios e lagoas.

A vegetação de mangue se desenvolve sob a ação das marés e água salgada, em solos de pequena declividade. Sua vegetação não varia muito entre as regiões que existe, apenas a altura das árvores que varia. No Maranhão e no litoral norte, as espécies alcançam uma altura bem maior, formando verdadeiras florestas. Suas principais espécies são: o mangue vermelho, o mangue siriúba e o mangue branco.

As restingas e as dunas também podem ser consideradas como vegetação litorânea. Os ventos marinhos incidem diretamente sobre essas vegetações, e a combinação desses ventos com a água do mar e a areia dão a esses tipos de vegetação características bem singulares.

O cerrado, outro tipo de vegetação da região, representa 25% do território brasileiro. É considerada a savana mais rica do mundo em biodiversidade. Este bioma se estende por uma vasta área de dois milhões de km² (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Piauí e Distrito Federal, além de ser encontrado, também, em trechos de outros sete estados brasileiros). A região predomina-se nos estados do Maranhão, Piauí e no oeste da Bahia.

Esse tipo de vegetação depende de um clima quente, semi úmido, onde haja ausência de chuva de cinco a seis meses.

Sua flora tem como característica pequenos portes com galhos retorcidos, coberto por gramíneas no chão, além de um solo com acidez alta. As copas das árvores e arbustos são abertas, permitindo a passagem de luz aos extratos herbáceos. As principais espécies são: faveira, mangaba, pequi, araçá, babaçu, ipê-branco e carnaúba.

Porém, o Cerrado vive, atualmente, forte descaracterização pela expansão desordenada da fronteira agrícola, que já ocupa cerca de metade da região. A atual devastação põe em risco uma região que mais possui água das principais bacias hidrográficas do Brasil, além de base da sobrevivência cultural e material de extrativistas, indígenas, quilombolas e produtores familiares agroextrativistas que dependem dos recursos oferecidos pelo bioma para sobreviver.

A Caatinga, também conhecida como Sertão, é o bioma mais expressivo da região, passando por Ceará, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, além de pequenas áreas do Maranhão e de Minas Gerais. Apresenta-se de diferentes formas na região, sendo como caatinga das serras, caatinga seca e agrupada, caatinga seca e esparsa, caatinga da Chapada do Moxotó, caatinga do Litoral e caatinga arbustiva densa.

Sendo uma vegetação tipicamente sertaneja, apresenta como principais espécies: o pereiro, a aroeira, o aveloz e as cactáceas.

Com 50% da sua área devastada, a Caatinga enfrenta grandes desafios e precisa que nela se estabeleçam formas alternativas de sustento, que gerem desenvolvimento e garantam justiça social e conservação ambiental. É um meio ambiente vulnerável, e seu equilíbrio precisa ser respeitado com especial cuidado por estar situado em uma das regiões semiáridas com maior pressão demográfica do mundo.

 

Gargalos e Potencialidades

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI),     concluirá até junho deste ano (2012), estudo que identificará os gargalos na infra-estrutura, transporte e logística dos estados nordestinos. O projeto foi denominado de Nordeste Competitivo, tendo como objetivo tornar os estados mais competitivos. A pesquisa avaliará as condições das rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. E indicará que projetos deverão ser priorizados.

Apesar da explosão de preços e de atividade comercial/econômica da região Nordeste, a sua infra-estrutura está em condições precárias. Nos últimos cinco anos, a região atraiu bilhões de dólares em investimentos, principalmente no setor imobiliário.

Porém, a falta de infra-estrutura é um problema alarmante. Com o rápido aumento de preços de imóveis, famílias nordestinas estão se endividando. Indícios de uma “bolha” imobiliária inflada pelo crédito farto estão sendo apresentados.

Grandes gargalos também foram apontados por especialistas no setor de energia eólica na região. O atraso das linhas de transmissões, chamadas linhões (do dicionário – linha de alta tensão) e as mudanças para a obtenção de financiamento para as obras ofertado pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB) são grandes dificuldades que a região está passando na área eólica. Devido o atraso das obras, muitos projetos terão que ser modificados.

Outro entrave para o crescimento do setor é o transporte. O estado das estradas é péssimo, as rodovias estão congestionadas e há uma grande falta de escolta para acompanhar carretas de grande porte. Um dos exemplos mais evidentes de tal problema são os pólos industriais. Os mesmos foram criados para reunirem fábricas, usinas e indústrias de grande porte em um só lugar. Para melhor funcionamento, seria essencial ter amplas estradas de fácil acesso, porém, os estados nordestinos não obtêm a infra-estrutura necessária.

Mesmo com o atraso das obras e a falta de estrutura da região, a evolução do setor surpreendeu o planejamento elaborado para o período. O potencial do Nordeste representa R$ 15 bilhões de investimentos diretos, ao longo de cinco anos. A região abrigará 75% dos parques eólicos já contratados no país e deverá receber R$ 12 bilhões até 2013. Dos dez fabricantes de aero geradores no Brasil, oito têm unidades ou planos de se instalar em terras nordestinas.

A indústria têxtil também é outra área que se destaca no Nordeste. Os estados do Ceará, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte vêem se sobressaindo na produção e no número de empregos no setor. O estado do Ceará é o principal produtor, tendo 15 empresas que geram 18 mil empregos. Além das empresas, há uma grande produção artesanal focada na produção de rendas e bordados.

 

O problema de habitação precária nas áreas rurais da Região Nordeste também se destaca. Isso pode ser justificado pela dificuldade de acesso às tecnologias de construção numa região pobre. O problema de coabitação familiar é mais relevante entre os domicílios urbanos, representando 57%. Um terceiro problema encontrado é o ônus excessivo com aluguel.  Muitos domicílios nordestinos são de autoconstrução, ou seja, a população construindo com seus próprios recursos as suas moradias, sem qualquer interferência do poder público, nem mesmo para verificar condições de segurança. Os domicílios duráveis urbanos podem ser divididos em dois grupos: os com carência de infra-estrutura (que não contam com atendimento mínimo nos quesitos energia elétrica e saneamento básico) e os com infra-estrutura inadequada (aqueles contam com todos os serviços em nível mínimo).

 

Em 2008, uma pesquisa mostrou sérios problemas na questão de analfabetismo no Nordeste. De acordo com os dados, os analfabetos se concentram principalmente entre as pessoas com mais de 40 anos, que ocupam 17,2% dos percentuais, enquanto os jovens que têm de 15 a 17 anos ocupam apenas 1,7%. Porém, o estado vem tentando alterar este quadro. O crescimento de estudantes matriculados na região foi de 128,5%. Em relação a 2001, o Nordeste ultrapassou a região Sul  para se consolidar na segunda região em número de estudantes de ensino superior, com 19,2% do total de matrículas. O número de escolas aumentou 206 vezes no país, privilegiando as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em dezembro do ano passado, 19 das 31 novas unidades entregues estavam no Nordeste e no Norte. A previsão de 81 novas unidades para 2012 inclui 24 no Nordeste.

 

No ano de 2011, o governo nordestino elegeu suas prioridades no OP 2011/2012, com objetivo se supri-las o mais rápido possível. Estas são:

 

1.      Saúde

2.      Pavimentação

3.      Habitação

4.      Educação

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s